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Ferramentas — V2.0

Esta página reúne ferramentas práticas para apoiar o time (Design, Conteúdo, Dev, QA) na verificação de acessibilidade.

Legenda: [NOVO] = adicionada ou muito ampliada em relação ao guia do Grupo 09.
Importante: validações automáticas não substituem testes manuais com teclado e tecnologias assistivas (TA), nem testes com pessoas.


Validação automática (página inteira ou componentes)

ASES / e-Scanner (Gov.br) — oficial BR [NOVO]

Quando usar: verificação inicial de conformidade geral em portais e páginas públicas no Brasil.
Como usar (passo a passo): 1. Abra a página publicada e rode a análise com o endereço completo.
2. Revise o resumo (erros/alertas) e clique para ver onde ocorreu.
3. Registre achados por categoria (texto alternativo, contraste, semântica) no ticket.
Limitações: não avalia intenção/experiência; pode gerar falsos positivos; não “lê” estados dinâmicos.
Dica avançada: reexecute após interações (abrir modal, trocar aba de um componente) usando o URL do estado quando existir.


axe DevTools (extensão)

Quando usar: checar componentes durante o desenvolvimento (local e publicado).
Como usar: 1. Com a página aberta, DevTools → aba “axe” → “Analyze”.
2. Navegue pelos itens e use o seletor para ir ao elemento exato.
3. Corrija e rode novamente até zerar erros críticos.
Limitações: cobre regras objetivas; não avalia linguagem/UX.
Dica avançada: use “Needs review” para triagem com o time (evita “tudo ou nada”).


Lighthouse (DevTools Chrome)

Quando usar: medição rápida de Acessibilidade (pontuação) e performance.
Como usar: DevTools → Lighthouse → selecione Accessibility → “Analyze page load”.
Limitações: nota não é certificação; alguns itens passam “no escuro”.
Dica avançada: gere relatório JSON/HTML e anexe no PR.


WAVE (extensão)

Quando usar: visão visual de erros/alertas sobre a própria página.
Como usar: ative a extensão; percorra os ícones no layout; clique para detalhes.
Limitações: pode “poluir” a interface; cuidado com falsos positivos.
Dica avançada: combine com HeadingsMap para checar a estrutura.


Accessibility Insights (Web/Windows)

Quando usar: fluxos guiados (FastPass/Assessment) e tab stops visuais.
Como usar: rode o FastPass (checagens essenciais) e visualize o mapa de Tab (ordem do foco).
Limitações: foco em ambiente Microsoft/Chromium; não cobre tudo.
Dica avançada: excelente para mapear ordem de foco e armadilhas rapidamente.


Pa11y (CLI) [NOVO]

Quando usar: automatizar CI/CD com regras de acessibilidade.
Como usar: instale e rode pa11y <url>; configure scripts para pipelines.
Limitações: precisa de setup; resultados variam conforme DOM carregado.
Dica avançada: rode após um script de interação (ex.: abrir modal via Playwright).


DevTools (inspeção de árvore e papéis)

Chrome/Edge — Accessibility Tree [NOVO]

Quando usar: conferir Name, Role, Value e hierarquia exposta ao leitor de tela.
Como usar: DevTools → Elements → “Accessibility”.
Limitações: exige leitura da árvore de acessibilidade; não é relatório pronto.
Dica avançada: valide se o nome acessível vem do label correto (e não de texto decorativo).


Chrome/Edge DevTools — Simulação de rede lenta (3G/4G instável) [NOVO]

Quando usar:
Quando você quiser testar se a aplicação continua utilizável em conexões lentas ou instáveis (3G/4G), especialmente para garantir que o HTML semântico e o conteúdo principal carreguem antes de CSS/JS pesados — cenário comum em áreas remotas.

Como usar:
1. Abra a página no Chrome/Edge e acesse DevTools (F12 ou Ctrl+Shift+I).
2. Vá na aba Network e marque a opção Disable cache.
3. No seletor Throttling, escolha um perfil como Slow 3G ou Fast 3G (ou crie um perfil personalizado simulando 4G instável).
4. Recarregue a página e observe: - se o HTML semântico (estrutura, títulos, texto principal) aparece rapidamente; - se botões e links essenciais ficam utilizáveis mesmo antes de todos os scripts carregarem; - se elementos críticos não dependem apenas de JS para existir.

Limitações:
- Não simula todas as variações reais de rede móvel (perda de pacote, quedas completas).
- Foca na performance de carregamento; não substitui testes de acessibilidade com leitor de tela/teclado.

Dica avançada:
Combine o throttling com o Lighthouse (rodando apenas “Performance” e “Accessibility”) para ver se a página continua acessível em condições degradadas. Priorize sempre um “esqueleto” de HTML semântico que carregue primeiro e adie JS/CSS não essenciais (lazy load, defer, media em <link>).


Firefox — Accessibility Inspector [NOVO]

Quando usar: inspeção completa da árvore e contraste.
Como usar: Tools → Accessibility → explore os nodes e as computed properties.
Limitações: curva de aprendizado.
Dica avançada: use a aba Contrast para verificar 1.4.11 (não-texto) em elementos de UI.


HeadingsMap (extensão)

Quando usar: checar hierarquia de títulos rapidamente (H1→H2→H3…).
Como usar: abra a extensão na página e navegue pela árvore de headings.
Limitações: foca só em headings; não vê landmarks.
Dica avançada: use junto com Landmarks.

Comentário do grupo:
O HeadingsMap ajudou bastante a visualizar, de forma rápida, a hierarquia de títulos da página.
Com ele, conseguimos enxergar se a estrutura fazia sentido (H1 → H2 → H3…) e se a navegação por headings seria coerente para leitores de tela.
Uma coisa que percebemos é que a ferramenta mostra apenas a estrutura técnica, então ainda foi necessário analisar se os títulos realmente descreviam o conteúdo de maneira clara e alinhada com a experiência real de uso.


Landmarks (extensão)

Quando usar: conferir se há header/nav/main/aside/footer e landmarks ARIA.
Como usar: ative a extensão e visualize a estrutura por região.
Limitações: não garante qualidade do conteúdo da região.
Dica avançada: um único <main> por página.


Leitores de tela (TA) — testes manuais essenciais

NVDA (Windows) — gratuito

Quando usar: padrão de testes no Windows.
Como usar (roteiro curto): 1. Abra a página; use H (títulos), D (landmarks), Tab/Shift+Tab (interativos).
2. Teste formulários: leia label, erro e mensagens de status.
Limitações: precisa prática com atalhos; comportamento difere do JAWS.
Dica avançada: combine com Firefox (par historicamente robusto).


JAWS (Windows)

Quando usar: ambientes corporativos que usam JAWS.
Como usar: similar ao NVDA, mas com atalhos próprios e modo forms.
Limitações: licenças; diferenças de anúncio vs. NVDA.
Dica avançada: valide ambos se o público usa os dois.


VoiceOver (macOS/iOS)

Quando usar: checagem em Safari e em apps iOS.
Como usar: macOS: ⌘⌥F5 (ou Acessibilidade) | iOS: Ajustes → Acessibilidade → VoiceOver.
Limitações: curva de aprendizado; rotor/gestos específicos.
Dica avançada: teste rotas por headings e landmarks com o Rotor.


TalkBack (Android)

Quando usar: apps Android e Chrome mobile.
Como usar: Ajustes → Acessibilidade → TalkBack; gestos de navegação por controle.
Limitações: diferenças entre fabricantes/skins.
Dica avançada: verifique ordem e rótulos em listas e componentes custom.


Testes de teclado (sem ferramenta) [NOVO]

Quando usar: sempre — é a base de operabilidade.
Como fazer (roteiro de 2 minutos): 1. TAB do topo ao rodapé (sem mouse).
2. Acesse todos os interativos, sem “prisão” em modais/menus.
3. Verifique foco visível e ordem lógica.
4. Tente Esc para fechar modais e Shift+Tab para voltar.
Limitações: manual, requer atenção.
Dica avançada: grave um GIF curto do foco percorrendo os elementos para anexar ao PR.


Cores, contraste e simulação

Contrast Checker (CCA / ferramentas equivalentes)

Quando usar: validar 1.4.3 (texto) e 1.4.11 (não-texto).
Como usar: pegue cores exatas do CSS/DevTools; verifique estados (hover, focus, selected).
Limitações: capturar cor errada gera falso resultado.
Dica avançada: documente tokens (ex.: --text-on-primary) com os ratios esperados.

WCAG Color Contrast Checker (extensão)

Quando usar: validar contraste de pares específicos de cores diretamente no navegador (texto, ícones, bordas de componentes etc.), sobretudo quando você está ajustando o design “na mão”. Como usar:
1. Ative a extensão na página que deseja testar.
2. Use o conta-gotas ou informe manualmente as cores de primeiro plano e fundo.
3. Verifique os valores de contraste reportados para texto normal e texto grande, comparando com os requisitos da WCAG (ex.: 4.5:1 para texto normal).
Limitações: o resultado depende de capturar a cor exata; se você pegar o tom errado, o ratio também sai errado. E não avalia contexto (tamanho da fonte, peso, estado de foco/hover), só o contraste numérico. Dica avançada: use em conjunto com DevTools (para inspecionar o CSS real) e registre os ratios aprovados como tokens de design (ex.: --text-on-primary: 4.8:1), facilitando a padronização no time.

Comentário do grupo:
Usamos o WCAG Color Contrast Checker como nosso “termômetro rápido” de contraste.
Ele ajudou a testar combinações específicas de cores e verificar se atendiam aos valores mínimos exigidos pela WCAG, principalmente em textos, links e botões.
Percebemos, porém, que a ferramenta não substitui olhar o componente no contexto real (tamanho da fonte, peso, fundo, estado de foco/hover), então usamos o resultado como apoio técnico, e não como a única decisão de design.

Editor de espaçamento de texto (extensão)

Quando usar: verificar se o layout continua legível e utilizável quando o usuário aumenta espaçamentos, conforme o critério 1.4.12 Text Spacing (WCAG 2.2). Como usar:
1. Ative a extensão na página que será testada.
2. Aplique os valores recomendados de espaçamento (linha, parágrafo, letras e palavras).
3. Observe se textos continuam legíveis, se botões e campos não “quebram” e se não surgem barras de rolagem horizontais desnecessárias. Limitações: A ferramenta atua só no texto, não cobre outros aspectos de layout (como reflow total da página) e não substitui testes de zoom (ex.: 200%, 400%) nem checagem em diferentes larguras de tela. Dica avançada: use o editor de espaçamento junto com testes de zoom e reflow para garantir que a interface se mantém estável em diferentes preferências de leitura, e registre casos problemáticos como débito de acessibilidade no backlog.

Comentário do grupo:
O Editor de espaçamento de texto ajudou a simular situações em que o usuário aumenta o espaçamento entre linhas, parágrafos e letras, como previsto nos critérios de espaçamento de texto da WCAG.
Essa ferramenta evidenciou trechos em que o layout começava a “quebrar” ou ficar desconfortável de ler quando o espaçamento era ajustado.
A experiência mostrou que esse tipo de teste é importante e complementa outros, como zoom e reflow, para garantir que o conteúdo continue legível em diferentes configurações de leitura.

Simuladores de daltonismo (diversos) [NOVO]

Quando usar: garantir que informações não dependam de cor.
Como usar: aplique simulação (Deuteranopia, Protanopia, Tritanopia) e observe gráficos e status.
Limitações: simulação ≠ experiência real.
Dica avançada: padrões (tracejado, hachura) + rótulos resolvem muitos casos.


Conteúdo de mídia (vídeo/áudio) e Libras

Legendas, transcrições e audiodescrição

Quando usar: sempre que houver vídeo/áudio.
Como usar: 1. Crie legendas sincronizadas (CC).
2. Gere transcrição textual com identificação de locutores.
3. Avalie audiodescrição quando houver conteúdo visual essencial.
Limitações: dá trabalho — planeje na pauta.
Dica avançada: roteirize autodescrição de participantes (autoapresentação descritiva).

VLibras [NOVO]

Quando usar: adicionar janela/intérprete virtual em Libras como recurso complementar.
Como usar: integre o player/componente conforme documentação e teste com usuários.
Limitações: não substitui CC nem AD; qualidade varia por contexto.
Dica avançada: sinalize quando há Libras e onde ativar.


Documentos (PDF, DOCX, planilhas)

PAC (PDF Accessibility Checker) e Acrobat Checker [NOVO]

Quando usar: validar PDF acessível (tags, ordem de leitura, alt em imagens).
Como usar: exporte o PDF com tags; rode o checker e corrija títulos/ordem/alt.
Limitações: PDF “salvo de imagem” precisa de OCR e revisão.
Dica avançada: sempre que possível, publique HTML; use PDF apenas quando necessário.


Mobile (apps e web mobile)

Android Accessibility Scanner [NOVO]

Quando usar: achados rápidos em telas Android (alvo, contraste, toques).
Como usar: instale, ative e varra a tela — o app lista sugestões.
Limitações: não cobre fluxos complexos; não substitui TalkBack.
Dica avançada: capture prints com os destaques e anexe ao ticket.

iOS Accessibility Inspector (Xcode) [NOVO]

Quando usar: validar nomes/traços de acessibilidade em apps iOS.
Como usar: Xcode → Open Developer ToolAccessibility Inspector; aponte para o app e inspecione rótulos, traits, foco.
Limitações: requer macOS + Xcode; curva de aprendizado.
Dica avançada: automatize checagens com UITests focados em traits e rotulagem.

Observação geral sobre as ferramentas:
As extensões foram importantes para conectar nossa análise a critérios formais (WCAG e NBR), mas reforçamos que nenhuma ferramenta automática ou semiautomática substitui testes manuais, como navegação por teclado, uso de leitor de tela e observação da experiência real de uso.